RETOMBO – Voltar depois da queda
Das cicatrizes deixadas pela passagem da tempestade Kristin nasceram oportunidades, entre elas o projeto RETOMBO – Voltar depois da queda.
As árvores tombaram e não as podemos reanimar, mas podemos sempre dar-lhes uma nova vida.
Da madeira pertence a uma dessas árvores, um Choupo que habitava as margens do rio Lis, tombado no dia 28 de janeiro de 2026, pela tempestade Kristin, nasceram 3 bancos de rua.
Ripa Fluminis I, II e III, três bancos que representam as raízes, a persistência e a natureza da comunidade leiriense e que, agora, servem o seu novo propósito no coração de Leiria.
28 de janeiro de 2026
Na madrugada de 28 de janeiro de 2026, Leiria foi fustigada pela passagem da tempestade Kristin. Nessa manhã, quando Leiria acordou, se é que chegou a adormecer após o temporal, tudo havia mudado.
Leiria já não era a Leiria de sempre. A terra que sempre foi certeza, conforto e lar, transformava-se, agora, numa recordação. Milhares de casas desfeitas, hectares incontáveis de paisagens reinventadas e um sem-fim de vidas em suspenso.
Uma Leiria de raízes para o ar e de troncos partidos a meio, de casas destelhadas e janelas estilhaçadas, de rostos aterrorizados e de um silêncio ensurdecedor. Independentemente do destino que as deambulações pelo concelho oferecessem, o cenário era devastador.
E agora?
Agora, enquanto as lágrimas eram a única água que lavava os rostos, enquanto os pensamentos desarrumados pelo vento procuravam o seu espaço, às escuras, enquanto a respiração ainda se fazia fora de ritmo e a um ritmo alucinante, era urgente agir.
Leiria uniu esforços, deu as mãos e limpou estradas, caminhos e jardins.
Leiria uniu esforços, deu as mãos e repôs telhados sem olhar a quem.
Leiria uniu esforços, deu as mãos e alimentou com pão e com amor.
Leiria uniu esforços, deu as mãos e sarou feridas, reaprendendo a viver.
Reerguer Leiria